quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A Idade Dos Intensos (Confessional)

Há quem diga que eu não vivi nada.
Dependendo do referencial da vida, vivi muito mais que muita gente que não pode completar 27 anos.

Ídolos e gênios não passaram dos 27.
Não quero ser ídolo e devo estar longe de ser gênio e se pudesse escolher: ainda quero fazer 37, 47, 57, 67...

Não quero nada.
É claro que se eu ganhasse na sena não acharia ruim, mas eu não preciso de nada de verdade. O que eu preciso são os amores que me chegam; as palavras que me completam e a saúde que me permite ir para uma cama todas as noites e todas as manhãs acordar. Nem todo mundo tem essa graça.

Então quero sim!
Quero poder acordar todos os dias, poder ter saúde pra me movimentar, ter amigos para contar, uma família para ancorar quando estiver a deriva.
Também quero procrastinar, ficar sozinho e reclamar e as vezes até naufragar.

Quero viver.

Errando, fazendo merda, acertando, amando, chorando, sorrindo, sendo teimoso....vivendo.
Eu só conheço esta forma de viver.

Para que tanto rótulo?
Eu só quero viver bem, sem rancores, sem pesares, sem desconfiar de mim mesmo, sem duvidar do que sou capaz.

Quem se presta a julgar louco deve ser mais louco.

"As únicas pessoas para mim são as loucas, loucas por viver, loucas por falar, loucas para serem salvas, que desejam tudo ao mesmo tempo".

Salve K.

Movimento é vida.
A única verdade é a música.
Paz, amor, união e respeito.
Educação.

É melhor ser alegre que ser triste
O miserável receio de ser sentimental é o mais vil de todos os receios modernos.
Com a sabedoria aprendemos a ser tolerantes.


Obrigado as palavras, obrigado a vida que já me deu 27 anos para viver de sonhos e realidade intensa.

Que a minha jornada continue cheia de luz, e que eu posso compartilhar essa luz com todos.

Que todas as palavras e gestos de amor que recebi possam ser divididos com todos.

Os frutos não são nossos, são para todos.


"Se você já construiu castelos no ar, não tenha vergonha deles. Estão onde devem estar. Agora, dê-lhes alicerces."

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Amornírico

Não quero nada mais do que menos.

Não preciso do seu todo e nem quero você inteira.

Não gosto de nada integral.

Somos partes de um inteiro,
Então não posso te cobrar completa se apenas somos cinzas do mesmo cinzeiro.

Só preciso saber que eu posso contar quando a luz apagar e eu me perder.
Não quero cobrar, muito menos esperar.

Eu só preciso saber.

No teu silêncio. No teu peito.

Nos buracos negros dos teus olhos.

Me diga o quanto você é:

- Eu aceito.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Respira

Me deito em sua voz,
E abraço sua respiração,
Paro e penso em nós,
Comendo o ar do seu pulmão.

Quero costurar nossos dedos,
Me segurar na sua risada,
Entender que com você não tenho medo,
E apenas ficar de mão dada.

Quero te segurar no braço,
Quero fazer mais do que faço,
Para enfim apertar este laço.

Quero entrelaçar seu corpo,
Para te amar mais que um pouco,
Esperando que não me ache um louco.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Perdido

Caminhei louco e lírico, e olhei com surpresa e incredulidade. 

Existia. 
De fato, existia.

Naquela tarde atravessei portais que me levaram a dimensões obscuras da realidade. Véus ao chão, realidades despetaladas, expostas e nudas. Eram medos mentirosos. Toquei a campainha. Caronte abriu gentilmente e em silêncio nos convidou para entrar. Todos dentro do cubo negro. Silêncio torturador e também mentiroso. A água invadia nossos sapatos por debaixo da porta. Gelada e molhada e brilhante -Será que eu estou mesmo me molhando ou apenas criei na minha cabeça este momento? - Já não sei o que é verdade - sentia o cheiro do preto e começava a enxergar a música que invadia minha mente - máquinas trabalhavam e eu sentia seu gosto. Amargo. Não muito, o suficiente para sentir o gosto das cores anunciadas e esperadas. Louco sonho depravado. Entrei de cabeça.

Dancei e viajei através de um portal para um mundo gasoso. A realidade não se via com clareza, os olhos ardiam, as vozes vinham de todos os lados. Espanhol e francês e inglês e por fim português. Não era possível enxergar as pessoas com quem você conversava - vozes e ecos ocupavam a sala e a fumaça decorava o ambiente - Escutei um sotaque marroquino. Acendi um cigarro e fechei os olhos - a fumaça me fazia chorar e o gosto do tabaco me fazia tossir - minha pressão caía - meu peito voltou a apertar e se fez um motim no meu coração - meus sentimentos queriam destronar meu cérebro, queriam um bouquet da flor da pele - Saí dali. 

Chega de fumaça na alma. 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Paris

O vento canta
As folhas caem
E os passos seguem cegos

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Ex-Crevo

Escrevo para que as pessoas possam conhecer.

Eu escrevo porque me descubro a cada linha,

Escrevo para traduzir nas palavras o que internamente não resolvo.

Escrevo para que as pessoas saibam que há mais além da carne.

Escrevo para que eu possa me conhecer.

Escrevo para provar que existi.

Escrevo no mundo para gravar minha passagem.

Escrevo porque amo.

Escrevo para me transformar.

Escrevo para ser eu mesmo.

Escrevo porque viver não basta.


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Marginalidade Afetiva

Houveram dias em que achei que não viveria longe de tal ou tal pessoa.

Acho muito louco como as pessoas mais importantes da minha vida não são as mesmas ao decorrer dos anos.

Acreditei em laços imortais, em amizades e amores infinitos. Acreditei na eternidade de palavras pronunciadas, mas o que então seriam palavras ditas senão apenas som, vibração de cordas vocais e emissão sonora sem nenhum atestado de eternidade, fora a memória. Mas a memória não mantém pessoas por perto.

 A memória só serve para lembrar que um dia já fui íntimo de estranhos.

Pela janela pensei: tantas vozes já passaram na minha vida, algumas ainda passam, outras ainda estão e algumas desejei que fossem embora - eu mesmo tratei de passar em suas vidas, mas sinto que não faço parte de nenhuma, sinto que estou sempre transitando, sempre estou aos arredores de muitas vidas. À margem.

Marginal.

Tiveram pessoas que fiz questão de passar sem deixar rastros e em ironia houveram pessoas que eu não quis que se fossem, pedi para ficar, me dei de bandeja, mas de nada serviu.


- Fica, eu aceito qualquer situação - dane-se o ego - eu só quero você - mas de nada serviu. - Agora eu vou - De fato você não me quer. Adeus.


Mas não deve doer. As coisas passam, as dores passam, as alegrias passam, as pessoas passam.

A magia dos caminhos que se cruzam.

Me fascina imaginar que de tantas pessoas no mundo, de tantos lugares e esquinas e bares e copos nós nos conhecemos. Nos cruzamos e nos apresentamos. Por mais longa ou curta que esta conexão dure, é mágico. Conhecer um outro ser, poder descobrir seus gostos e desgostos, anseios e preguiças.

E pode acontecer de dar certo.