quinta-feira, 14 de agosto de 2014

"T" de Para Sempre

Com você eu aprendi a amar.
Aprendi a não me "pré-ocupar".
Aprendi a correr atrás.
A ter sonhos.
A costurar, a pintar, a viver, a sorrir das coisas pequenas.
A chorar nos domingos de sol, a sorrir nas luas cheias.
A comer bis de 80 maneiras diferentes.
A preparar brigadeiro no microondas.
Aprendi que a vida é para quem quer viver.

Com você eu descobri que o amor não precisa de luxo.
Que para amar basta estar com quem se ama.
Aprendi que os momento difíceis são só para valorizar os bons.
Que a sua felicidade vai depender de como você lida com as dificuldades.
Que é preciso ter garra, é preciso ir a luta.

Aprendi que o mundo lá fora jamais irá impedir que a gente realize nossas vontades.
Descobri que posso amar longe e perto, que posso amar sonhando e acordado.
Eu um dia soube o que é amor. Com você eu tive certeza.
Você é a parte mais feliz da minha vida.
Você é a minha vida. E eu daria tudo de novo e viveria tudo de novo.
Como você eu aprendi que não é preciso poesia para falar de amor, mas é preciso amor para fazer poesia.

Hoje meu peito tá apertado de saudades.
Mas o meu amor hoje transborda. Exala. Grita.
Obrigado por ter sido e por ser o maior amor da minha vida.
Obrigado por você existir.
Danem-se os defeitos. Danem-se as brigas.

Hoje eu não quero pensar.
Hoje eu senti que é você.
Não será a primeira vez que a vida e o acaso testam esse amor.
E não será desta vez que eu desistirei.
Danem-se os que só imaginam.
Danem-se os que não sentem.

Eu sei o que desejo.
E eu sei o quanto te amo.

Amorzinho, amorzinho,
Você é meu amorzinho.

Eu te amo.
Para todo o sempre.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Estação

Um dia verão
Que não és mais outono,
Já és primavera.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Vejo, Sinto, Corro e Caio

Tudo nesse dia feio e claro,
Passou na janela do meu olho,
Sinto verdadeiro asco,
A dor que precede o embrolho.

Que raiva ser segundo,
Que solidão ser esquecido,
Que amor vagabundo,
De um reflexo já partido.

Perco os sapatos,
esqueço o passo,
fico de quatro.

Não sou amado,
Não tenho compasso,
E choro descalço.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Teto

Não sei como voltei para casa. Na verdade muitas vezes não sei como volto para casa. Uma das piores coisas das minhas bebedeiras é o fato de eu sempre ter amnésia alcoólica, eu não sou muito daqueles de ter ressaca braba, passar mal no dia seguinte, entretanto tenho em mim um talento inesgotável para ter amnésia. Não consigo de forma alguma lembrar coisas no outro dia, eu perco dentro do copo e do cérebro embalsamado de álcool pedaços da noite, sem saber o que acontece sempre vou fazendo uma costura de fatos com os amigos, isso quando estou acompanhado, porque o que realmente me assusta é quando passo a noite só, conheço malucos e bêbados e vagabundos que jamais reconhecerei, e acrescido a isto uma dose honesta de amnésia – Isto realmente me perturba - A última vez estava descendo uma rua do centro, desta ruas tradicionais de centro de cidade, pontos de ônibus com cansados trabalhadores que foram o dia todo ordenhados por seus chefes, para mesmo assim voltar para casa sempre com preocupações na cabeça sobre como prover para sua família; ao lado sempre marcando presença um pipoqueiro de boné branco e bata branca, fritando bacon desde as nove horas da manhã, com uma camada de gordura que reluz sobre sua pele, vendendo pipoca com bacon e pipoca doce e pipoca tradicional, sempre com manteiga, evidente, as lojas são todas de produtos de origem duvidosa, nada ali é de fato como deveria ser, imigrantes ilegais, chineses tomam conta das lojinhas de bugigangas e de restaurantes com o nome de Sheng Long e Xiyao Ming e Tampopo e Lao Tse e etc., o prato mais famoso de todos eles é frango com fritas, que consiste em frango na chapa com batatas fritas, sempre acompanha um arroz e feijão e a grande dúvida se o chinês que fez isso não estava o dia todo coçando o saco e cuspindo e tossindo na cozinha, porque existem milhares de restaurantes destes e todos os restaurantes chineses -  que são chineses só porque seus donos são chineses - de fato só vendem Prato Feito e com uma insalubridade latente, são ainda mais famosos pela sua falta de higiene – Ao lado dos chineses e sua máfia, fica o bar dos vagabundos, o bar que estava na quadra antes da chegada dos chineses, então quem bebe ali são os verdadeiros velhos bêbados do bairro, sempre tem cerveja barata e uma clientela selecionada e todo este cenário é preenchido de jovens traficantes, que estão ali vendendo droga barata e ruim - passando a perna em viciados – algumas putas da pior categoria, daquelas que exalam doenças sexuais, velhos bêbados, mendigos viciados, sempre procurando alguma cinza, lutando por alguma moeda para alimentar este demônio que é o crack, mas que infelizmente já consumiu toda a alma destes desgraçados, e agora à eles só o que resta é continuar e se destruir - e passei por tudo tudo isso indo à Igreja, estava na rua com a cabeça atormentada e achava que a igreja daria um pouco de serenidade ao meu espirito, não adiantou. Saí de lá e fui consumido pela ansiedade, por um desejo sem objetivo, um urro no peito que desejava gritar, mas não tinha por onde e nem sabia o por que. Caminhei mais algumas quadras refletindo loucura e decidi me anestesiar com um pouco de álcool, cheiro de vala e conversas efêmeras – e foi aí que comecei a esquecer da minha noite, depois disso, apareci na casa de uma mulher, não lembro seu nome, lembro-me dos seus olhos, grandes e azuis e frios, não conseguia saber o que ela pensava nunca, e bam!, não sei como saí de lá, mas lembro que queria ir embora de lá o tempo todo, lembro de ter corrido, corrido e gritado e chorado pelas ruas como se tentasse botar para fora aquele sentimento de ansiedade, aquela busca por algo que talvez não exista, a busca por algo que não quer ser buscado, corri e gritei e chorei e mais uma vez anestesiei-me com álcool, nas noites frias vinho é uma suave morfina, para a alma e o corpo. Hoje acordei e olhei para o teto do meu quarto e não sabia como tinha voltado. Na verdade muitas vezes não sei como volto para casa. Olhei para o teto límpido, branco e estático e pensei na busca pelo infinito e que nem sempre se deve lutar contra a maré - vida acima de tudo – paz contigo mesmo, pois você não deve provar nada a ninguém, seja tu mesmo e eles verão tua primavera.

sábado, 7 de junho de 2014

Anasthasia

Trecho original do livro "Naquela Noite Caminhei Entre Tubos e Copos"


Perambulando em busca de uma dose selvagem conheci Anasthasia, que nada tinha a ver com a princesa russa, pelo que entendi o pai dela era anestesista e tinha alguma relação intima – o que me fez já refletir bastante em conversas com Deus – com a eutanásia, era algum tipo de ativista pró eutanásia e em homenagem as suas crenças deu o nome de Anasthasia pensando nisso, é uma história louca que envolve drogas e desejo de morte – fatores suficientes para eu não querer me aprofundar neste tipo de assunto, então não perguntei mais nada a respeito – mas não tive como fugir, pois como acontece na magia cósmica da poeira estrelar que deu origem aos nossos corpos, nomes, razão e emoção e anseios e medos, Anasthasia tinha impulsos suicidas, gostava de se machucar, gostava de pensar em dor, gostava de sentir dor, confessou que nunca pensou em se matar, “mas eu anseio pelo dia da minha morte”, confessava. No resto dos dias fazia sexo ou usava drogas para sublimar este seu desejo mortal; como morava fora da cidade sempre tinha de terminar suas noites cedo - coisa que nunca acontecia - então terminava mais uma vez chapada na cama de mais alguma boa alma que lhe abrigava em troca de sexo - Ela não tinha saída, era a melhor forma de continuar se matando com prazer – Anasthasia era linda, nos seus olhos gateados eu via a força das mulheres decididas e a loucura das mulheres livres e indomáveis, eu me via encantando pela loucura e excitado pelo resto – buscava dentro de goles a resposta para esta vida desgarrada – mas há coisas nessa vida que é melhor permanecer na ignorância. O livre arbítrio de não querer saber das coisas, de não querer o conhecimento mundano e terreno que jamais me levará à iluminação, que não me colocara do lado de Deus quando tudo isto acabar, que jamais irá acalentar meu coração, para quê querer saber de tanto, se às vezes tanto só aumenta o meu vazio. Entre copos e cigarros e risadas e sacanagens de bar eu me via envolto naquele véu suicida, uma frieza diante da vida que faria mais jus se fosse russa. Pensava nela e pensava no amor e eu tinha certeza que não estava nela, mas também não sei onde estava e me pergunto: "eu quero saber onde está?". A vida corre em um sumo espesso por entre minhas veias, sinto tudo mais nebuloso, mas não sei se quero saber do amor, apesar de morrer de medo todos os dias da minha vida em perder o meu. E ali está ela, acendendo mais um cigarro, enquanto ri e grita com as amigas eu já estou cambaleando de bêbado, entregue a crença que nos rege pensando em como vou fazer se tiver que ficar com ela – "o que vou fazer?" – mais uma dose, por favor.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Artesão (2006)

Texto/Letra de 2006. Achado na gaveta de meias da memória.

- Feito de barro
por dentro sou oco.
Fui posto de lado
ao esticar de um braço.

Sem ao menos saber que você estava ali.

- Chega de moleza,
a senhora já chegou.
Vamos até a freguesa
pois ela está com pressa.

E pegue a parte que te fala.

- Ai que tu te enganas,
com ou sem eu sou eu.
Apenas demoro para entender o que fazer.

- Deixe de frescura,
você sem ela não é nada,
tampa sem panela, vice versa,
não tem utilidade.

- Pode me levar,
eu garanto o sucesso.
É pra mim e para ela, 
essa promessa que faço.

- Vou confiar em você,
mas não quero queixa.
Faça bem o seu papel e durará muitos anos.

(E seu eu não quiser durar)


domingo, 1 de junho de 2014

Trecho Original

Excerto do texto original de "Naquela Noite Caminhei entre Tubos e Copos".

Lembro que por volta das 16 horas daquele dia tinha resolvido previamente meus assuntos, e então seguia para mais uma caminhada contemplativa. Esportes me levam para outro plano sem jamais deixar de viver e perceber as coisas ao meu redor; caminhadas contemplativas me tiram momentaneamente dessa vida terrena, não percebo mais o mundo ao meu redor e nem consigo fazer a diferenciação de mim e o todo, sou o caminho quando caminho. Mas quando recebi uma ligação de um camarada, abandonei os planos por completo e decidi que tomar uma cerveja para relaxar - se é que mereço tal relaxamento - e aproveitar a vida de desempregado. Entre alguns vários litros de cerveja refleti que se não recordar e registrar estes momentos, jamais em minha vida ou na vida de meus conhecidos, a vida será lembrada. Tanta tecnologia, inventos, alegria, gadgets, 3g, 4g, pontos G, nada disso será lembrado pela fugaz e rasa experiência que é se viver nos dias atuais - onde HD's queimados comem a memória desta geração. Apesar de tantas social medias discutidos em mesas de bar, repletos de publicitários revolucionários, nada disso realmente será lembrado, nada será uma marca ou quiçá um marco. Tantas revoluções em um mundo onde tudo é recriado e nada é novo ou se é, já nasce com data para morrer, contrariando a própria lei da suspensão do fim da vida. Em meio a discussões filosóficas e teóricas sobre isso - que eu já nem queria fazer parte - me fazia de burro para não discutir assuntos infinitos. Não ligo de parecer burro. Prefiro me manter calado a entrar em discussões sobre sexo dos anjos, odeio discutir por apenas discutir, sem jamais ter alguma conclusão. - Naquele momento queria apenas queimar.
E quando não mais esperava por nada que realmente fosse me confortar, com mensagens de orgulho e bobagens de todos os lados, enfim conheci algumas pessoas que pensam, e talvez elas nem me acrescentem em nada, mas temos gostos semelhantes, gostos que se completam, pessoas que me recebem de maneira nova e sincera, pessoas que fazem de mim um ser novo e completo, mesmo que por algumas horas de bebedeira. Saúde.