quinta-feira, 16 de abril de 2015

Precisei

Primeiro só o silêncio das fotografias imóveis,
Que se comunicava através da coincidência dos caminhos afáveis.

Escutava palavras que nem foram ditas,
Em cruzamentos onde o peito assumiu a carência, sobrando estranhos e suas vidas.

Depois houve tempo sem encontro,
Tempos em que cego te perdi, sem voz, só outono.

Quis e fiz te encontrar,
Precisei perguntar o óbvio para fazer o coração escutar.

Minutos em que o tempo fez-se vida,

Palavras em que o verbo fez-se amor.

terça-feira, 31 de março de 2015

Inventei dias de frio e preguiça.

Inventei dores,
Inventei até estar sem saída.

Aqueles olhos que me deram paz,
Eu também inventei.

Inventei este texto para me fazer sentir o que já não sinto.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Ecos

Quando o silêncio diz tudo
A porta bate
Os passo apenas vão

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A Idade Dos Intensos (Confessional)

Há quem diga que eu não vivi nada.
Dependendo do referencial da vida, vivi muito mais que muita gente que não pode completar 27 anos.

Ídolos e gênios não passaram dos 27.
Não quero ser ídolo e devo estar longe de ser gênio e se pudesse escolher: ainda quero fazer 37, 47, 57, 67...

Não quero nada.
É claro que se eu ganhasse na sena não acharia ruim, mas eu não preciso de nada de verdade. O que eu preciso são os amores que me chegam; as palavras que me completam e a saúde que me permite ir para uma cama todas as noites e todas as manhãs acordar. Nem todo mundo tem essa graça.

Então quero sim!
Quero poder acordar todos os dias, poder ter saúde pra me movimentar, ter amigos para contar, uma família para ancorar quando estiver a deriva.
Também quero procrastinar, ficar sozinho e reclamar e as vezes até naufragar.

Quero viver.

Errando, fazendo merda, acertando, amando, chorando, sorrindo, sendo teimoso....vivendo.
Eu só conheço esta forma de viver.

Para que tanto rótulo?
Eu só quero viver bem, sem rancores, sem pesares, sem desconfiar de mim mesmo, sem duvidar do que sou capaz.

Quem se presta a julgar louco deve ser mais louco.

"As únicas pessoas para mim são as loucas, loucas por viver, loucas por falar, loucas para serem salvas, que desejam tudo ao mesmo tempo".

Salve K.

Movimento é vida.
A única verdade é a música.
Paz, amor, união e respeito.
Educação.

É melhor ser alegre que ser triste
O miserável receio de ser sentimental é o mais vil de todos os receios modernos.
Com a sabedoria aprendemos a ser tolerantes.


Obrigado as palavras, obrigado a vida que já me deu 27 anos para viver de sonhos e realidade intensa.

Que a minha jornada continue cheia de luz, e que eu posso compartilhar essa luz com todos.

Que todas as palavras e gestos de amor que recebi possam ser divididos com todos.

Os frutos não são nossos, são para todos.


"Se você já construiu castelos no ar, não tenha vergonha deles. Estão onde devem estar. Agora, dê-lhes alicerces."

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Amornírico

Não quero nada mais do que menos.

Não preciso do seu todo e nem quero você inteira.

Não gosto de nada integral.

Somos partes de um inteiro,
Então não posso te cobrar completa se apenas somos cinzas do mesmo cinzeiro.

Só preciso saber que eu posso contar quando a luz apagar e eu me perder.
Não quero cobrar, muito menos esperar.

Eu só preciso saber.

No teu silêncio. No teu peito.

Nos buracos negros dos teus olhos.

Me diga o quanto você é:

- Eu aceito.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Respira

Me deito em sua voz,
E abraço sua respiração,
Paro e penso em nós,
Comendo o ar do seu pulmão.

Quero costurar nossos dedos,
Me segurar na sua risada,
Entender que com você não tenho medo,
E apenas ficar de mão dada.

Quero te segurar no braço,
Quero fazer mais do que faço,
Para enfim apertar este laço.

Quero entrelaçar seu corpo,
Para te amar mais que um pouco,
Esperando que não me ache um louco.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Perdido

Caminhei louco e lírico, e olhei com surpresa e incredulidade. 

Existia. 
De fato, existia.

Naquela tarde atravessei portais que me levaram a dimensões obscuras da realidade. Véus ao chão, realidades despetaladas, expostas e nudas. Eram medos mentirosos. Toquei a campainha. Caronte abriu gentilmente e em silêncio nos convidou para entrar. Todos dentro do cubo negro. Silêncio torturador e também mentiroso. A água invadia nossos sapatos por debaixo da porta. Gelada e molhada e brilhante -Será que eu estou mesmo me molhando ou apenas criei na minha cabeça este momento? - Já não sei o que é verdade - sentia o cheiro do preto e começava a enxergar a música que invadia minha mente - máquinas trabalhavam e eu sentia seu gosto. Amargo. Não muito, o suficiente para sentir o gosto das cores anunciadas e esperadas. Louco sonho depravado. Entrei de cabeça.

Dancei e viajei através de um portal para um mundo gasoso. A realidade não se via com clareza, os olhos ardiam, as vozes vinham de todos os lados. Espanhol e francês e inglês e por fim português. Não era possível enxergar as pessoas com quem você conversava - vozes e ecos ocupavam a sala e a fumaça decorava o ambiente - Escutei um sotaque marroquino. Acendi um cigarro e fechei os olhos - a fumaça me fazia chorar e o gosto do tabaco me fazia tossir - minha pressão caía - meu peito voltou a apertar e se fez um motim no meu coração - meus sentimentos queriam destronar meu cérebro, queriam um bouquet da flor da pele - Saí dali. 

Chega de fumaça na alma.